Opinião: Messi nunca será maior do que Pelé

Este não é um texto para discutir números de gols ou assistência, muito menos notas atribuídas por aplicativos ou sites de scout espalhados por aí. 

Na verdade, muito pelo contrário: números e estatísticas pouco interessam para essa análise. O que interessa aqui, em realidade, são coisas muito menos interessantes aos apaixonados pelos números frios, que fiam suas opiniões com base em porcentagem de números de passes certos ou assistências, sem sequer levar em consideração contextos: pouco importam se esses passes foram dados para o lado ou se essas “assistências” foram na intermediária do campo para que o autor do gol driblasse meio time para marcar.  

Essas coisas menos interessantes aos analistas são as que talvez mais importem no fim das contas, aquelas que ajudam a criar mitos e símbolos que perduram por anos e passam de geração para geração, contadas de pais para filhos, e destes para os seus filhos.  

Não se trata de discutir quem é melhor, se Pelé ou Messi. Isso é simplesmente impossível de definir, pois não existe meio de comparar épocas tão distintas. Não conseguimos transportar Messi para jogar na mesma época de Pelé para sabermos como ele se sairia com piores campos e equipamentos, sem a existência de cartões até meados dos anos 60 e uma medicina esportiva bem menos desenvolvida do que a atual. O contrário também é verdadeiro: não sabemos como Pelé se sairia com as condições atuais, com um futebol mais intenso e muito mais globalizado. 

O que podemos mesmo defender é a ideia de Pelé como um símbolo, imensamente maior do que o Messi. O personagem Pelé é simplesmente o maior a surgir no esporte bretão.  

Por mais que Messi seja um gênio e até possa ultrapassar gols, assistências ou os títulos do Rei, – o que é bastante improvável, sobretudo as 3 copas que Pelé possui, mesmo número que a Argentina conquistou ao longo dos anos – não há como se ultrapassar o legado de Edson. 

Pelé possui uma imagem tão forte que é intrinsecamente ligada ao esporte em si: ele praticamente representou na terra, enquanto esteve vivo, o próprio futebol, sendo uma espécie de avatar que encarnou o mito fundador não só do futebol brasileiro, mas do mundo inteiro.  

Misturando verdades e algumas lendas que inevitavelmente surgem quando se atinge determinado status, o mito de Pelé é inabalável. Sem ele, o futebol como conhecemos hoje não existiria. Vanguardista e muito à frente de seu tempo, o Rei fazia 60 anos atrás coisas que são feitas hoje e que são tratadas como novidade.  

Vamos aos fatos que explicam porque Pelé é inigualavelmente o maior de todos os tempos:  

  1. A disparidade entre Pelé e seus contemporâneos é muito maior do que a existente entre Messi e os seus. Pelé não teve nem mesmo em Di Stéfano ou Garrincha, dois absolutos craques, e posteriormente em Maradona, a figura e a sombra que Cristiano Ronaldo representou para Messi durante toda a sua carreira. Embora isso seja obviamente também mérito do português, os outros jogadores que estão abaixo do argentino não estão tão longe quanto os adversários de Pelé estavam dele.  
  2. O impacto que Pelé teve no futebol não pode ser comparado com mais nenhum outro, à exceção talvez de Cruijff. Existe um “Antes de Pelé” e um “Depois de Pelé”, e, embora Messi seja um gênio, seu impacto no esporte não é, e nem será, do mesmo tamanho do que foi o do Rei. 
  3. Pelé parou uma guerra na Nigéria para que pudessem vê-lo jogar. Ok, essa é um pouco mais controversa – alguns afirmam não ter fontes confiáveis sobre o fato, enquanto outros juram de pé junto que isso aconteceu. No fim das contas, isso pouco importa: a verdade é que a mera existência da discussão já é o suficiente para aumentar o simbolismo que rodeia o Rei Pelé. 
  4. Pelé não era Rei só por ter sido o grande jogador que foi. Ele era tão importante que chefes de estados ao redor do mundo o respeitavam e exibiam uma deferência reservada apenas aos mais importantes estadistas de sua época.  
A rainha Elizabeth e o Rei Pelé.
  1. Edson foi considerado o maior atleta do século XX. Ele era respeitado no mundo inteiro e seus dotes atléticos estão documentados, como a sua alta velocidade, seu salto acima do normal e a sua visão periférica bem maior que a média.  
  1. Ao contrário do que reza a lenda popular, espalhada por aqueles que não se importam em saber a verdade, Pelé não jogava contra pedreiros e jogadores semi-profissionais. Na verdade, quando Pelé começou, o futebol já era profissionalizado no Brasil há muitos anos, e praticamente todos os jogadores da elite se dedicavam em tempo integral ao esporte. Dizer que Pelé jogou contra amadores é desqualificar não só Pelé, mas grandes lendas do futebol, como Cruijff, Di Stéfano, Beckenbauer e Bobby Charlton, que admiravam o Rei e cansaram de dizer que ele foi o melhor que enfrentaram. É curioso como os gols de Messi contra Curaçao são celebrados e os de Pelé são desqualificados, quando os jogadores da seleção caribenha certamente não tem a mesma qualidade que a maior parte dos adversários que Pelé enfrentou.
  1. Pelé não jogou na Europa, o que muitas vezes é usado como argumento para descredibilizá-lo, sem levar em consideração que o futebol brasileiro era o melhor do mundo na época. Tanto é verdade que Pelé e o seu Santos viviam fazendo excursões pelo mundo para enfrentar times europeus, e o saldo é muito mais positivo do que negativo, com os seus números sendo tão bons, ou até melhores, do que quando jogou contra times brasileiros.  

Messi é um gênio, disso não há a menor dúvida. Pelé, é claro, também era. Não conseguimos definir com convicção que um seja melhor do que o outro, mas podemos, sim, definir objetivamente a diferença de legado entre eles. Entre as análises de dados e estatísticas mensuradas por robôs, escolhemos ficar com a humanidade de quem fez o mundo se apaixonar pelo futebol.  

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