A ligação entre futebol e carnaval

A ligação entre futebol e carnaval

Quando se pensa no Brasil e sua identidade ao redor do mundo, é inevitável a associação com duas coisas: o futebol e o carnaval. 

Se ambos constituem parte importante da cultura brasileira, é quando essas duas forças se encontram que a verdadeira essência da expressão popular do país emerge, envolvendo-se em histórias folclóricas que transcendem fronteiras.

O futebol e o carnaval são partes intrínsecas do cotidiano e da identidade do povo brasileiro. Ambos refletem não apenas uma atividade de lazer, mas também uma forma de expressão cultural que une diversas camadas da sociedade. Hoje, vamos ver um pouco mais sobre a ligação entre essas duas instituições do país.

Escolas de samba de torcidas organizadas

Uma das formas mais claras para enxergar a relação fraterna entre o futebol e o carnaval do Brasil é a presença de times nos desfiles, especialmente na cidade de São Paulo, onde algumas torcidas organizadas de equipes paulistas tiveram êxito ao se inserir no circuito de escolas de samba. É o caso da Gaviões da Fiel, Mancha Verde e Dragões da Real, torcidas do Corinthians, Palmeiras e Santos, respectivamente, que possuem escolas no Grupo Especial. 

A Gaviões da Fiel foi a primeira torcida a participar do carnaval profissional paulista como escola de samba. Embora exista como escola de samba desde 1976, a Gaviões desfilou pela primeira no Anhembi em 1989, quando foi vice-campeã do Grupo de Acesso. A partir de então, a agremiação abriu caminho para que outras viessem. Em 2005, foi a vez da Mancha estrear no Grupo Especial, enquanto a Dragões da Real entrou no circuito em 2011. 

Juntas, as três escolas somam seis títulos do Grupo Especial: quatro da Gaviões (1995, 1999, 2002 e 2003) e dois da Mancha Verde (2019 e 2022).

Castor de Andrade

Uma outra figura que ilustra bem a relação estreita entre futebol e carnaval é Castor de Andrade, famoso bicheiro e cartola carioca, que teve participação importantíssima na criação da LIESA, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro. 

Castor, famoso contraventor carioca, era presidente e principal financiador do Bangu Atlético Clube, tradicional equipe carioca que chegou ao vice-campeonato brasileiro em 1985. Além de sempre aparecer nos jogos do Bangu, Andrade também era visto com frequência no carnaval carioca, sobretudo após se tornar patrono da escola Mocidade Independente de Padre Miguel e se tornar a cara de duas instituições fortes na cidade. Castor também ajudou a LIESA, que se tornou a organização mais importante do carnaval do Rio. 

Futebol nos sambas-enredos e na rua 

Também é comum ver desfiles em homenagens a figuras do futebol. Pelé, por exemplo, foi homenageado em 2016 pela Grande Rio, em um espetáculo digno de sua majestade. 

Outros homenageados foram Zico, pela Imperatriz Leopoldinense,  e Ronaldo Fenômeno, pela Gaviões da Fiel. Além das homenagens nos sambódromos, também é possível ver outras manifestações culturais pelas ruas, como é o caso dos incríveis bonecos de Olinda de jogadores e até de narradores que sempre marcam presença no carnaval de Recife. 

Romário e o carnaval

A ligação entre futebol e carnaval: Romário e Cruyff

Quando falamos de futebol e carnaval, é inevitável lembrarmos de histórias folclóricas envolvendo as duas entidades. É o caso da aventura que sempre aparece nessa época do ano envolvendo Romário e o seu técnico do Barcelona naquela altura, Johann Cruyff. Nela, o jogador brasileiro teria negociado mais dois dias de folga para curtir o carnaval, desde que marcasse dois gols em um jogo. O Baixinho, sempre um craque, marcou os dois tentos logo no primeiro tempo, foi substituído e rumou para o Rio de Janeiro. 

Embora evidentemente falsa, a história é uma boa ilustração da forte relação que o futebol brasileiro mantém com o carnaval. Nela, podemos ver todos os elementos que conectam essas duas paixões no país: o craque negligente, porém genial, a ânsia de participar de uma folia bem brasileira e a chance de vislumbrar um ídolo do futebol realizando magias com os pés, seja dentro de campo com a bola ou sem ela, no sambódromo.